Em dezembro de 2025, o Guns N’ Roses soltou duas faixas “novas”, “Nothin'” e “Atlas”. Só que a história desta última começa bem antes da data no streaming. A música vem das sessões longas de “Chinese Democracy” (2008), quando o material ficou anos sendo refeito, com gente entrando e saindo do estúdio e versões mudando de nome e de forma.
Naquele período, Brian May chegou a gravar em algumas músicas e também participou de uma versão inicial de “Atlas”, que ainda circulava como “Atlas Shrugged”. Ele contou que foi puxado para o projeto por Roy Thomas Baker, produtor histórico do Queen, que estava trabalhando com o Guns na época. A lembrança do May, reproduzida na Ultimate Classic Rock é que ele foi até o estúdio, ouviu praticamente o álbum inteiro e passou dias “testando coisas” e tocando em várias ideias.
Já a versão lançada em 2025 veio com o Slash nas guitarras, que disse que não fazia ideia da gravação do guitarrista do Queen: “Eu nem sabia que o Brian estava na faixa [até hoje]. Se eu soubesse, se eu tivesse ouvido, poderia ter sido algo que eu teria querido tocar em cima do que o Brian fez. Seria interessante agora, que eu sei, voltar e ouvir o que o Brian tocou.”
Slash relembrou que conviveu com May na época em que a banda solo do guitarrista do Queen abriu shows do Guns durante a era “Use Your Illusion”, e que também rolou jam quando May apareceu no Tonight Show naquele período. Ele ainda disse que os dois seguiram próximos com o tempo.
Na mesma conversa, Slash deixou registrado o tamanho do carinho: “Brian é um dos meus guitarristas favoritos de todos os tempos, mas também um dos meus compositores favoritos. E eu digo ‘compositores’ porque as coisas do Queen são tão épicas.” Depois ele completa que o Queen era uma das bandas preferidas do Guns e que trabalhar com Brian sempre foi uma honra.
Do lado do May, existe uma história antiga de aproximação: o Queen convidou o Guns para tocar no Freddie Mercury Tribute Concert, e ele mencionou que a banda também fez uma doação grande para o Mercury Phoenix Trust. Em entrevista anterior, ele resumiu a convivência com o grupo e disse que Axl sempre agiu de forma correta com ele.
“Atlas” acabou virando um daqueles casos típicos do “Chinese Democracy”: música que nasceu num laboratório de versões e só foi ganhar “cara oficial” muitos anos depois, com outra formação na sala e com um detalhe de bastidor que nem o Slash tinha visto passar.




