O guitarrista que fez Slash pensar em largar tudo e vender seguro de vida

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Slash afirma que próximo álbum do Guns N' Roses está a caminho

Slash sempre falou de seus heróis de guitarra sem tentar esconder a dívida. Antes de virar um dos nomes mais reconhecíveis do rock com o Guns N’ Roses, ele cresceu ouvindo discos que ajudaram a formar seu jeito de tocar, de Aerosmith a Led Zeppelin, passando pelo blues e por uma tradição de guitarristas que misturavam técnica, timbre e instinto.

Mesmo assim, uma coisa é admirar alguém de longe. Outra bem diferente é dividir uma sala com Jeff Beck e perceber, de perto, que o sujeito estava jogando outro jogo. Foi o que aconteceu em uma jam que reuniu Beck, Slash, Joe Perry, Lenny Kravitz e Gilby Clarke, então guitarrista rítmico do Guns N’ Roses.

A história foi lembrada pela Far Out a partir de uma entrevista antiga de Slash à Guitar World. O guitarrista contou que Beck tocava coisas impressionantes enquanto ainda conversava com ele, como se aquilo não exigisse esforço nenhum. “Jeff é realmente um dos grandes. Eu estava em uma jam session com ele, Joe Perry, Lenny Kravitz e Gilby, e Jeff estava tocando toda essa merda incrível enquanto falava comigo ao mesmo tempo”, disse Slash.

A reação dele foi bem no estilo Slash, com admiração e humor seco na mesma frase. “Eu quis encerrar tudo naquele dia, mandar os amplificadores para casa e arrumar um bom empreguinho vendendo seguro de vida ou algo assim. Fiquei pensando: ‘Hmmm, mercado imobiliário – pode haver um futuro nisso'”, brincou.

O episódio também teve um lado menos divertido. Jeff Beck havia sido convidado para participar de um show do Guns N’ Roses em Paris, em 1992, mas acabou desistindo depois de uma experiência ruim no ensaio e na passagem de som. Slash contou que Beck ligou depois dizendo que estava com um zumbido forte no ouvido, e o guitarrista do Guns ficou preocupado por achar que seu equipamento poderia ter agravado o problema. Em entrevista à Clash, anos depois (via American Songwriter), Beck atribuiu o impacto também ao volume da bateria de Matt Sorum durante a passagem de som.

A fala de Slash ajuda a entender o tipo de respeito que Beck despertava entre outros guitarristas. Ele não era apenas um músico veloz ou tecnicamente difícil de copiar. A grande diferença estava no controle de expressão: bends, vibratos, alavanca, dinâmica e ataques de nota que faziam a guitarra soar quase como uma voz humana, sem depender de uma fórmula muito clara para quem tentava entender o que estava acontecendo.

Isso explica por que músicos tão diferentes pareciam chegar à mesma conclusão sobre ele. Jeff Beck não ocupou o mesmo espaço de estrelato popular que Jimmy Page, Eric Clapton ou Jimi Hendrix, mas foi tratado por muitos colegas como alguém que expandiu as possibilidades da guitarra elétrica. Para guitarristas acostumados a pensar em escalas, frases e solos, ver Beck tocando podia dar a sensação de que havia outra língua escondida no instrumento.

Slash não largou a guitarra, claro. Continuou gravando, excursionando, fazendo solos reconhecíveis em poucos segundos e mantendo uma carreira longa dentro e fora do Guns N’ Roses. Mas a brincadeira sobre vender seguro de vida ficou boa justamente porque revela o tamanho do susto. Até um guitarrista consagrado pode olhar para outro músico, ouvir meia dúzia de frases impossíveis de explicar, e pensar por alguns segundos que talvez fosse melhor procurar uma profissão mais tranquila.

Retirado de Whiplash

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