1989 foi um ano em que duas engrenagens bem diferentes do rock giraram ao mesmo tempo. De um lado, o Guns N’ Roses já tinha passado da fase “banda nova barulhenta” e começava a virar assunto de capa e de bastidor. Do outro, os Rolling Stones estavam de volta à estrada com a turnê Steel Wheels/Urban Jungle, numa fase de retomada do tamanho do próprio show.
No meio desse cruzamento, veio o convite: Mick Jagger quis que Axl Rose dividisse o palco com ele em “Salt of the Earth”, relembra a Rolling Stone. A apresentação ficou registrada como um daqueles encontros improváveis que viram vídeo, viram assunto e atravessam décadas sendo revisitados.
A parte curiosa é que, segundo a Far Out, Axl não tratou o compromisso como algo “sagrado” no relógio. No mesmo dia do show, quando eles deveriam ensaiar a música para cantar à noite, Rose teria aparecido três horas depois do combinado, deixando os Stones esperando no ensaio.
O que torna a história ainda mais estranha é que, pelo menos em discurso, Axl sempre falou do Jagger com respeito. Há uma frase dele citada na American Songwriter que costuma circular bastante: “Para mim, Mick Jagger é um dos maiores atletas que já viveram, só pelo quanto ele se entrega no palco.” Ou seja: o atraso não combina com “desprezo”; combina mais com aquela fama de caos de bastidor que o Guns carregou por anos.
Seja como for, o episódio ajuda a explicar por que a relação de “admiração” no rock muitas vezes vem com um lado torto. Às vezes você idolatra um cara – e mesmo assim aparece tarde, paga de estrela e deixa um monumento esperando na sala ao lado.
E aí entra o detalhe que desmonta qualquer moral da história: apesar do atrito, a performance aconteceu, foi ao ar e virou item de arquivo. Aquele tipo de momento em que, no palco, a música anda; fora dele, o relógio que lute.
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